Por Anna Sens

No Brasil, as empresas familiares são um alicerce inegociável do ecossistema corporativo. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 90% das companhias do país possuem esse perfil. No entanto, de acordo com um estudo da Kennesaw State College, 70% dessas companhias morrem na passagem de bastão para os filhos e somente 9% chegam até a terceira geração de herdeiros. De olho nesse cenário, a psicóloga Bianca Scarpellini fundou uma consultoria que tem transformado essa realidade.

Sediada em Curitiba, a BS Scarpellini abriu as portas como consultoria há cerca de quatro anos e oferece soluções vanguardistas em governança familiar. O portfólio abrange dois braços principais, que são potencializados quando trabalhados em conjunto e contemplam tanto a pessoa física quanto a jurídica, com foco na prosperidade da família empresária e do negócio.. 

 A primeira frente de atuação é a gestão de pessoas, com foco na ferramenta estratégica de recrutamento executivo de alto nível (C-Level) e lideranças intermediárias. Há também serviços para o desenvolvimento de lideranças e individual, com coaching e mentoria.

Já a segunda vertical é de apoio a famílias empresárias para a estruturação da governança. Com uma abordagem pioneira que leva em conta os aspectos psicoemocionais dos vínculos familiares, a BS Scarpellini oferece suporte para que os familiares naveguem por questões como planejamento sucessório e mediação de conflitos. 

A consultoria tem como objetivo estruturar e operacionalizar um plano de governança, incluindo a construção do conselho de família, regimentos, políticas e protocolos, preservando o legado da marca enquanto também cuida da união e dos laços entre as pessoas.

“A governança familiar vem para que cada indivíduo se  forme de maneira particular, mas sem deixar de ser um sócio responsável. É como se fosse uma escola do acionista, onde ele é formado para ser um acionista responsável, com objetivos alinhados ao propósito da família e condições de atuar de forma atiba na estrutura da governança, tomando decisões assertivas e eficientes para o crescimento da riqueza e a união da família”, explica Bianca. “Ele se desenvolve de acordo com suas expectativas e desejos, buscando suas realizações pessoais e, simultaneamente, conhecimento. O objetivo é entender cada vez mais seu negócio, com um olhar mais acurado e visão estratégica”. 

Com esse olhar, Scarpellini já entregou mais de mil projetos para diversos segmentos, como finanças, agronegócio e terceiro setor em ambas as frentes de atuação da BS. 

O repertório para alcançar bons resultados foi construído durante mais de vinte anos de atuação com grandes organizações, mas também com base na experiência pessoal: por cerca de cinco anos, Bianca gerenciou a corretora de seguros de sua mãe, da qual é sócia até hoje.

“A governança da BS trata o lado afetivo da família empresária. Buscamos a resolução das questões familiares para não impactar na empresa. Para isso, olhamos os indivíduos em sua essência, identificamos os posicionamentos em comum e a partir do consenso trabalhamos as diferenças. A consultoria é a ferramenta, as respostas estão na família”, explica.

 

A importância da governança familiar

Quando um negócio é administrado por pessoas tão próximas, muitas questões particulares podem atravessar as deliberações, a cultura e até mesmo o crescimento sustentável da companhia. Emoções, memórias delicadas do passado, disputas financeiras e conflitos geracionais são algumas nuances recorrentes que adicionam camadas de complexidade ao dia a dia de trabalho. 

Nesse contexto, a função da governança é organizar a convivência, equilibrando os sentimentos de maneira adequada. A proposta é definir os papéis de cada familiar de maneira clara, delimitando o poder de decisão e as áreas de atuação. Assim, é possível evitar disputas e impactos negativos no resultado da operação enquanto se mantém o vínculo familiar. 

Jucilene Dal Negro, head de desenvolvimento humano da BS Scarpellini, explica que o processo envolve a criação de canais oficiais de diálogo e documentação de acordos, sempre visando um presente que garanta segurança para o futuro. “A ideia é profissionalizar a família que tem um negócio sem descartar todos os afetos envolvidos, mas organizando como e quando eles são tratados”, pontua. 

O primeiro passo para a constituição da governança familiar é um diagnóstico preliminar. Na BS Scarpellini, tudo é analisado a partir de três pilares: Família, Negócio e Patrimônio. O objetivo vai além da perenidade da empresa: busca-se também a preservação de relacionamentos saudáveis, fortalecendo o senso de união e pertencimento entre os membros da família — fatores essenciais para que a prosperidade do legado flua.