
Dados apresentados pelo executivo mostram que eletrificação pode reduzir em até cinco vezes o gasto do brasileiro com transporte; mercado local e crédito são os principais desafios da montadora
Foto: Rubens Nemitz Jr.
O avanço da eletrificação da frota automobilística brasileira já é uma realidade de mercado: atualmente, cerca de um quinto (18%) das vendas de veículos 0 km no país corresponde a modelos eletrificados, sendo que a BYD detém metade dessa participação (8,5%). O cenário posiciona o Brasil em uma função estratégica global para o setor, impulsionado por uma matriz elétrica altamente limpa, com 86,8% de fontes renováveis, contra a média global de apenas 14,5%, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
A análise e os bastidores desse mercado foram debatidos por empresários e executivos paranaenses em um encontro promovido pelo LIDE Paraná. Na oportunidade, Alexandre Baldy, vice-presidente sênior do Grupo BYD no Brasil e presidente comercial e de marketing da BYD Auto Brasil, defendeu o protagonismo do país na transição energética global e apresentou dados sobre o impacto direto da mudança na economia das famílias e das cidades.
Hoje, parte significativa da renda média do brasileiro é consumida pelo combustível. Comparando o gasto de energia de um veículo elétrico e a gasolina de um motor a combustão, esse valor reduziria em cinco vezes. O brasileiro teria melhor qualidade de vida e mais capacidade de consumo para outros segmentos”, analisa Baldy. De acordo com o executivo, a operação brasileira registrou um crescimento de 98% nos primeiros cinco meses de 2026 em comparação com o ano anterior. “É o maior crescimento global de todas as operações da BYD, o que nos dá credibilidade perante a matriz para atrair mais investimentos”.
Desafios estruturais: crédito e fim de incentivos no Paraná
Apesar do crescimento acelerado, o ritmo de expansão enfrenta barreiras macroeconômicas claras. Ao ser questionado sobre os gargalos do setor, Baldy apontou o custo do financiamento como o principal entrave atual. “O mercado automobilístico brasileiro depende do crédito. Mais de 70% das vendas dos carros 0 km são financiadas e, quando se fala de uma taxa de juros elevada, existe a dificuldade de acessar um crédito competitivo. Então, nós, da indústria, precisamos subsidiar o crédito; esse é o maior investimento que a indústria automobilística faz no mercado”, revelou.
A falta de perenidade em políticas públicas de incentivo também foi lembrada no debate. O estado do Paraná, que já foi pioneiro ao adotar a isenção de IPVA para veículos elétricos, encerrou a medida em 2023, o que altera as estratégias locais de aquisição de frotas e o consumo de transição.
O peso estratégico do consumidor curitibano
A segunda loja da BYD no Brasil foi inaugurada em Curitiba em 2022. Quatro anos depois, a marca já soma seis unidades na capital e dez em todo o estado. Baldy explicou que o comportamento do consumidor local serve de termômetro para o mercado nacional. “Tenho o estado do Paraná como o mais estratégico do país, porque o público paranaense, em especial o curitibano, é bastante exigente. Para nós, sempre foi fundamental ter sucesso aqui, porque é um referencial. Em todos os mercados de bens de consumo, se você conquistar o consumidor curitibano, terá menos dificuldade de conquistar os das outras regiões do país”, destaca.

“Tenho o estado do Paraná como o mais estratégico do país, porque o público paranaense, em especial o curitibano, é bastante exigente. Para nós, sempre foi fundamental ter sucesso aqui, porque é um referencial. Em todos os mercados de bens de consumo, se você conquistar o consumidor curitibano, terá menos dificuldade de conquistar os das outras regiões do país” fotografia © 2026 . Rubens Nemitz Jr
O debate, sediado na Casa Paraná Business | PUCPR, em Curitiba, reuniu cinquenta lideranças empresariais de nove setores estratégicos do estado. “Convidamos o Alexandre para trazer insights sobre negócios, tendências de mercado iniciativas que estão acontecendo lá fora e que possam se relacionar diretamente às nossas operações e desenvolvimento regional”, declarou Heloisa Garrett, presidente do LIDE Paraná.
Entre as lideranças presentes, Emanuel Albuquerque, da Dynamo Estruturas, sublinhou o valor da troca de experiências em ambiente corporativo. “Ter contato com empresários como o Baldy estimula-nos a avaliar e levar iniciativas para os nossos próprios negócios”. No mesmo sentido, Jefferson Rejaile, diretor da RDP Energia, buscou compreender de perto a realidade do setor. “Para além das novidades, vim saber não só dos bônus que os processos possam trazer, mas também as limitações e os gargalos que existem em relação a esse novo momento de eletrificação no Brasil”.
Sobre o Paraná Business
O Paraná Business é um ecossistema de negócios, liderado pela empresária Heloisa Garrett, também presidente do LIDE Paraná. O hub de inteligência, relacionamento e dados se propõe a reunir informações qualificadas e exclusivas dos variados setores que compõem o PIB do estado, com autoridade, estratégia e inovação. O ecossistema dá visibilidade à força econômica do Paraná, além de promover networking e ativações empresariais para tomadores de decisão, com foco no desenvolvimento do estado.
Sobre o LIDE Paraná
O LIDE Paraná é o maior ecossistema de negócios do Estado. Reúne mais de 250 empresas e 600 empresários associados em prol do desenvolvimento social e econômico do Paraná. Parte do sistema global LIDE, que neste ano completa 25 anos de atuação e tem presença em 29 países, a unidade paranaense é reconhecida nos últimos quatro anos como referência entre as mais de 20 unidades nacionais. No Estado promove mais de 60 eventos estratégicos por ano, conectando 35 setores da economia. Em 2025, as empresas ligadas ao LIDE Paraná somaram faturamento agregado de R$ 200 bilhões e geraram mais de 400 mil empregos.
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