Em um dia de painéis, o desenvolvimento e novos investimentos foram o norte das discussões.

O LIDE Brasil França Fórum, maior fórum empresarial Brasil–França, realizado nos dias 26 e 27 de novembro,  reuniu lideranças influentes para debater os rumos da economia global. reforçou a força conjunta de dois protagonistas históricos do agronegócio sustentável e da segurança alimentar no cenário global.

Em um ambiente de alto nível, o evento destacou como a inovação tecnológica e as soluções de baixo impacto ambiental tornam Brasil e França ainda mais atrativos para investimentos e novas parcerias estratégicas.

O Fórum projetou um futuro de cooperação ampliada, em que o potencial tecnológico e a produção responsável se convertem em novas rotas de crescimento, competitividade e desenvolvimento para os dois países.

Roberto Campos Neto, vice-chairman e chefe global do Nubank. Foto_Bruna Lopes_LIDE (3)Roberto Campos Neto, vice-chairman e chefe global do Nubank. (Foto: Bruna Lopes/LIDE)

Roberto Campos Neto, vice-chairman e chefe global do Nubank, afirmou que o Brasil precisa construir condições para alcançar juros de um dígito. Durante sua exposição no LIDE Brasil França Fórum, ele declarou que “para a gente ter uma queda de juros que faça diferença em termos de produtividade e de planejamento de longo prazo, ter um juros no Brasil de um dígito”, ressaltando que isso depende de um “choque positivo na área fiscal”.

Campos Neto afirmou que, embora haja expectativa de redução da taxa no futuro próximo, a trajetória mais relevante depende do avanço fiscal. Ele citou que a economia brasileira deve desacelerar, com previsão de queda de 0,9% no terceiro trimestre e crescimento anual entre 2,1% e 2,2%. Também mencionou que o mercado de trabalho permanece apertado e que a inflação em 12 meses está em 4,65%, ainda acima da meta.

O executivo destacou reformas aprovadas pelo Congresso nos últimos anos, citando autonomia do Banco Central, reformas previdenciária e trabalhista, e a reforma tributária, afirmando que essas mudanças surpreenderam observadores internacionais durante a pandemia.

Campos Neto abordou ainda elementos globais que influenciam juros e risco, como polarização política, envelhecimento populacional, aumento de impostos sobre capital, custos ambientais e tensões geopolíticas. Segundo ele, esses fatores compõem uma “nova ordem global” com impacto direto sobre as condições financeiras.

Ao tratar de tecnologia, afirmou que o avanço do poder computacional e do armazenamento de dados impulsionou modelos mais eficientes de IA, mas também tende a pressionar mercados de trabalho e aumentar a desigualdade entre países com e sem domínio tecnológico.

No setor financeiro, Campos Neto destacou que a tecnologia ampliou a inclusão. Ele afirmou que 50 milhões de pessoas foram incorporadas ao sistema bancário e que 94% da intermediação financeira no país é digital. Segundo ele, fintechs ampliaram competição e reduziram custos operacionais, permitindo oferta de crédito de tickets menores.

O executivo defendeu a continuidade da agenda de inovação implementada pelo Banco Central, citando o Pix, a regulação de IA no setor financeiro e o avanço das regras sobre criptoativos. Ele encerrou afirmando que há espaço para parcerias internacionais nessas áreas.

Região de Paris lança agenda para atrair mais empresas brasileiras ao bloco europeu

A7400557Valérie Pécresse, presidente do Conselho Regional da Ilha de França. (Foto: Bruna Lopes/LIDE)

Valérie Pécresse, presidente do Conselho Regional da Ilha de França, afirmou que, desde 2022, empresas brasileiras realizaram 317 investimentos diretos no exterior, mas apenas cinco desses projetos escolheram a França como destino. A declaração foi feita durante encontro com autoridades e empresários no âmbito do LIDE Brasil França Fórum.

Valérie Pécresse informou que todos os cinco investimentos brasileiros captados pela França no período se instalaram na região da Ilha de França, que hoje ocupa a 12ª posição entre os destinos dos aportes do Brasil, atrás de Londres, Lisboa e Madri. Segundo ela, “não estamos à altura daquilo que poderíamos construir juntos”, ao defender que a administração regional adotará medidas para ampliar a atratividade.

A dirigente citou que, nos últimos dez anos, 21 projetos brasileiros se instalaram na região, com média de 40 postos de trabalho criados por empreendimento. Ela mencionou iniciativas como a expansão do centro de manutenção da Embraer em Le Bourget, com 120 empregos e 120 milhões de euros investidos, além da atuação da Alias Space, Farm Rio e Vtex.

Valérie Pécresse declarou que a região é responsável por 30% da riqueza produzida anualmente na França, reúne 130 mil pesquisadores, 10 mil startups e concentra 80% do ecossistema French Tech. Conforme afirmou, Paris tornou-se a principal praça financeira da União Europeia após o Brexit e oferece conectividade reforçada com aeroportos internacionais, rede de trens de alta velocidade e expansão metroviária pelo Grand Paris Express.

Ela destacou setores com potencial imediato de cooperação, incluindo aeronáutica, aviação descarbonizada, drones, satélites, fintechs, pagamentos digitais, cosméticos, saúde e biotecnologia. De acordo com Valérie Pécresse, “podemos conectar os nossos sistemas” ao reforçar que Paris pode funcionar como porta de entrada para empresas brasileiras nos mercados europeus.

A presidente do Conselho Regional da Ilha de França acrescentou que pediu às equipes da agência Choose Paris Region a criação de um balcão único para facilitar procedimentos administrativos e acelerar o acompanhamento de novos projetos. Também anunciou que, em 2026, irá a São Paulo para assinar um novo acordo de cooperação entre as regiões, em substituição ao tratado vigente desde 1998.

Valérie Pécresse mencionou ainda iniciativas de intercâmbio estudantil e cultural, afirmando que o fortalecimento desses laços pode ampliar as bases da parceria econômica. Ela citou a COP 30 como referência para projetos conjuntos na transição ecológica e lembrou que a região é responsável pela implementação de ações ambientais nas cidades mais urbanizadas da França.

Ao concluir, disse que o Brasil é “um dos líderes em termos de inovação à escala global” e que a Ilha de França representa “o principal hub europeu”, avaliando que há potencial de cooperação ainda em estágio inicial. Ela afirmou que a região não é apenas um mercado de 12 milhões de consumidores, mas “também um parceiro e talvez um trampolim”.