
Seminário promovido pela instituição reuniu lideranças empresariais, autoridades públicas e especialistas para debater como o cenário global impõe desafios e abre oportunidades que exigem agilidade e inovação
Conflitos armados, tensões comerciais entre potências globais, novas taxações e o redesenho das cadeias de valor estão impactando diretamente os negócios, especialmente no Paraná, um dos estados mais exportadores do Brasil. Atento a esse cenário de transformações, o LIDE Paraná promoveu o seminário “Guerra Comercial: oportunidade ou desafio?”, reunindo empresários, autoridades e especialistas para analisar os riscos e as possibilidades que o novo cenário global impõe ao setor produtivo local.
O evento reuniu lideranças empresariais, autoridades públicas e especialistas de renome para discutir os efeitos da guerra comercial sobre a economia brasileira e paranaense, bem como as possíveis oportunidades que surgem desse novo contexto global.
Entre os participantes, estiveram presentes Heloisa Garrett, presidente do LIDE Paraná; Roberto Giannetti da Fonseca, uma das maiores autoridades do país em comércio exterior, ex-secretário-executivo da CAMEX no governo FHC e ex-diretor de comércio exterior da FIESP; Gabriel Vieria, diretor de operações portuárias da Portos do Paraná; e Luanna Souza, CEO do Grupo Pinho e especialista em inovação no setor logístico.
Giannetti, que atualmente preside o LIDE Comércio Exterior, trouxe uma análise contundente sobre o chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, abordando suas implicações diplomáticas, econômicas e comerciais, além de apontar caminhos para a construção de uma agenda positiva com concessões mútuas.
fotografia © 2025 Rubens Nemitz Jr
Segundo ele, o momento exige uma ação coordenada entre governo e setor privado, com medidas urgentes para mitigar os impactos nas exportações brasileiras e adaptar estratégias. “Para alguns setores é mais fácil, para outros mais difícil, dependendo da especificidade do produto e da forma como acessa o mercado americano. Produtos com marca, propaganda e exigências sanitárias não se realocam facilmente. Às vezes, a substituição de mercado pode demorar seis meses, um ano, ou nunca acontecer. Nessas situações, a perda é total”, afirmou.
Para evitar esse cenário, Giannetti destacou que é fundamental dar fôlego financeiro às empresas, defendendo medidas como o alongamento dos prazos dos adiantamentos de câmbio (ACC), hoje fixados em 180 dias. “Se a exportação for suspensa por causa do tarifaço, o contrato não poderá ser cumprido, e a empresa ainda terá que pagar. Precisamos de extensão de prazo, 180, 360 dias, para atravessar esse xadrez geopolítico, e quem sabe, até reabrir mercados.”
Outra proposta apresentada foi a liquidação imediata dos créditos acumulados de ICMS com os governos estaduais, como alternativa para aliviar o caixa das empresas. “Há companhias com milhões a receber e que enfrentam entraves fiscais. Com a reforma tributária prestes a extinguir o ICMS, não faz sentido prometer o pagamento em 20 anos. É hora de resolver, com seriedade e visão de futuro”, completou.
Já Gabriel Vieira, que é engenheiro civil e possui MBA em gestão de projetos pela Fundação Getúlio Vargas, destacou os avanços logísticos do estado e os investimentos que vêm reposicionando os portos paranaenses como estratégicos para o comércio exterior brasileiro, mesmo diante de tensões comerciais e cenários adversos.Segundo ele, o momento exige infraestrutura portuária moderna, eficiente e integrada, capaz de garantir competitividade para o agronegócio e a indústria nacional. “Não podemos gerar atrasos ou custos adicionais às nossas exportações. Pelo contrário: a infraestrutura tem que ser aliada na busca por novos mercados e no enfrentamento de restrições tarifárias”, afirmou.
O porto, responsável por mais de 70 milhões de toneladas movimentadas por ano, é o maior exportador de carne de frango do mundo, além de liderar as exportações nacionais de óleo de soja, estar entre os primeiros em açúcar e soja, e ser o principal canal de entrada de fertilizantes no país.
Outro destaque do seminário foi a participação de Luanna Souza, CEO do Grupo Pinho, que trouxe uma visão estratégica sobre o papel do setor logístico privado em meio à guerra comercial. Engenheira de produção com especialização em finanças corporativas e mais de uma década de experiência em operações internacionais, Luanna ressaltou que, em um cenário de instabilidade geopolítica, a logística não pode ser um gargalo, deve ser parte integrante da solução.
Segundo ela, a modernização dos processos logísticos é imprescindível para assegurar a competitividade do Brasil no comércio exterior. Uma logística eficiente é aquela que antecipa riscos, minimiza desperdícios e agrega valor aos produtos brasileiros. Para isso, Luanna defende o uso de tecnologias avançadas e soluções inteligentes, como automação, rastreabilidade e integração digital, que se tornam ferramentas essenciais para superar os desafios do comércio global.
“A forma como gerenciamos a logística hoje será determinante para garantir a continuidade das exportações e a eficiência das cadeias produtivas. Precisamos de sistemas que proporcionem previsibilidade, controle e segurança operacional. Não basta apenas movimentar cargas, é fundamental oferecer soluções logísticas à altura dos desafios globais que enfrentamos”, afirmou.
Por fim, a presidente do LIDE Paraná, Heloisa Garrett, mediou um bate-papo entre os painelistas, que destacou visões complementares e experiências práticas. Ela também reforçou a relevância do debate para o estado: “O Paraná é visto internacionalmente como um celeiro de inovação e produtividade na área de alimentos. Em um cenário global de instabilidade, o desafio é transformar risco em oportunidade, e isso exige conhecimento, articulação e coragem”, afirmou.O LIDE tem promovido, há três anos, uma agenda voltada à internacionalização, principalmente com a Índia, um dos maiores mercados consumidores do mundo, por meio de iniciativas bilaterais que vêm abrindo oportunidades no mercado.
“Os olhos do mundo estão voltados para o nosso estado. Não apenas pela capacidade produtiva, mas também pelo protagonismo em energias renováveis, uma pauta estratégica para o futuro. E o Janete é uma das grandes referências no Brasil na área de comércio internacional”, concluiu Heloísa.
O seminário evidenciou que, embora o cenário internacional imponha riscos, ele também abre espaço para o reposicionamento estratégico do Brasil, sobretudo se houver uma atuação coordenada entre o setor público, o setor privado e as entidades de classe. A palavra de ordem, segundo os participantes, é agilidade com visão de longo prazo.
O Evento contou com o patrocínio master dos Portos do Paraná e patrocínio do Grupo Pinho.
Sobre o LIDE
Grupo de Líderes Empresariais, o LIDE Paraná tem entre seus objetivos atuar na construção de uma agenda positiva voltada ao fortalecimento da economia do Estado. Posiciona-se como um hub de negócios para a promoção de oportunidades de investimento, desenvolvimento econômico e social e construção de conexões, estimulando as interações e o networking empresarial. Também é voltado à discussão de temas econômicos e políticos de interesse nacional. O LIDE tem hoje 23 unidades no Brasil e 17 unidades internacionais, sendo a do Paraná reconhecida como unidade referência do sistema.
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